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    1/3 dos Portugueses tem casas de férias

    A segunda habitação volta a fazer parte do sonho dos portugueses. Mesmo com o agravamento dos impostos, esta é a melhor altura para comprar.

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    Um terço dos portugueses ainda tem casa de férias

    A segunda habitação volta a fazer parte do sonho dos portugueses. Mesmo com o agravamento dos impostos, esta é a melhor altura para comprar.

    Longe vão os tempos em que o desejo dos portugueses era terem uma casa de férias, ou seja, uma segunda habitação para passar com a família uns fins-de-semana prolongados ou as tradicionais férias de verão. Uma casa junto à praia ou no campo era o ideal e, durante muitas décadas, a região do Algarve foi a preferida dos portugueses.

    Com a crise tudo mudou. Houve quem vendesse e quem perdesse, o que fez com que a segunda casa deixasse de estar nos planos da maioria das famílias. Contudo, segundo o INE – Instituto Nacional de Estatística um terço dos alojamentos existentes em Portugal são residências secundárias.

    Com a perspetiva de um novo dinamismo na economia portuguesa, o mercado imobiliário também reanimou e a ideia de uma casa de férias volta a fazer sentido para alguns portugueses. De facto, um estudo do IPDT – Instituto de Turismo sobre as intenções de férias dos residentes em Portugal revela que nove em cada 10 portugueses vai gozar férias neste ano, especialmente em agosto, sendo o Algarve (31%) o destino que ocupa o topo das preferências. O Alentejo, a Região Norte e as Regiões Autónomas , por sua vez, são os locais mais procurados para pequenas escapadelas da rotina ao longo do ano.

    Com a EURIBOR – o principal indexante do crédito à habitação em Portugal – em mínimos históricos, não há altura mais propícia para comprar casa do que esta. Até porque, atualmente, com a banca a voltar a conceder empréstimos, surgiram novas aplicações associadas à compra de casa: investir para arrendar ou mesmo para passar as férias.

    Numa primeira análise, percebe-se que o próprio aumento da concorrência entre os bancos favoreceu a queda dos spreads. Mesmo para quem já possui a sua primeira habitação, também pode ser uma época favorável para adquirir uma casa de férias.

    É fundamental analisar o mercado antes de comprar

    “É crucial analisar o mercado antes de se decidir comprar uma segunda casa. Para além da capacidade financeira – que é preciso ter em conta não apenas por causa do custo da habitação, mas porque existem encargos, como o condomínio e o IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis, que virão sempre associados à mesma – é necessário consultar o mercado. Comparar diversas opções é essencial, pois um empréstimo à habitação é um encargo financeiramente elevado”.

    queda das taxas de juro não dura para sempre – e, por isso mesmo, já existem soluções de financiamento com taxa fixa que permitem acautelar a eventual subida. 

    Uma das principais diferenças entre um empréstimo para aquisição da primeira casa e outro para segunda habitação é que este último inclui em si a possibilidade de se realizar uma hipoteca sobre a primeira propriedade, o que pode ser uma vantagem acrescida para o cliente, na medida em que está a dar uma garantia maior e, consequentemente, o banco poderá facilitar as suas condições de financiamento.

    Todavia, e contrariamente ao que acontece com a primeira habitação, geralmente as instituições financeiras não financiam mais do que 70% do valor de aquisição da segunda casa, sendo que o prazo permitido normalmente não pode exceder os 30 anos.

    Ao avaliar um crédito à habitação, é necessário ter em conta diversos fatores que influenciam o valor final do empréstimo, nomeadamente as taxas de juro, spread contratado (tenderá a ser mais elevado do que o da primeira habitação) e os seguros incluídos (costumam exigir a contratação de dois tipos, o de vida e do imóvel).

    No que diz respeito, em primeiro lugar, às taxas de juro, há que considerar a TAN (Taxa Anual Nominal) e, sobretudo, a TAE (Taxa Anual Efetiva), dado que esta última reflete todos os encargos (comissões bancárias, custos de abertura do processo e prémios dos seguros) associados ao empréstimo. No caso de existirem produtos associados para aceder à bonificação do spread, então a TAER (Taxa Anual Efetiva Revista) deverá ser o aspeto mais importante a ter em conta.

    No caso do spread, que representa o lucro auferido pelo banco na contratação do crédito, trata-se de uma componente da taxa de juro definida pelo banco através de uma análise caso a caso e conforme o perfil de risco do consumidor. De um modo geral, os produtos que estão associados à bonificação do spread são o cartão de crédito (e às vezes também o cartão de débito), a domiciliação do ordenado, o PPR e os seguros de vida, multirriscos, saúde e ainda de proteção ao crédito.

    Banca com soluções para a compra de segunda casa

    Praticamente todos os bancos em Portugal apresentam soluções para a compra de segunda casa e alguns podem até oferecer condições mais vantajosas no spread para a segunda habitação, mediante a aquisição de outros produtos no banco.

    Foram realizadas simulações em oito das maiores entidades bancárias em PortugalSantander, Bankinter, Millennium bcp, Montepio, Crédito Agrícola, BPI, CGD e Novo Banco – para a compra de uma segunda habitação para férias no local referido: um apartamento T1 construído em 2005, avaliado em 100 mil euros e com um pedido de financiamento de 70%. O rendimento anual líquido de 14.280 euros, o que se traduz num rendimento mensal de 1.020 euros, sendo o prazo do empréstimo de 30 anos.

    O valor final a pagar no término dos 30 anos oscila entre 93 mil (a opção mais acessível, do Bankinter) e 113 mil euros (do Novo Banco).

    Já um casal com 50 anos de idade, que come��a a pensar no tempo em que se irá reformar, a Alda, que é juíza, e o Jorge, arquiteto, pretendem adquirir uma segunda casa no Algarve, perto da praia, com o objetivo de lá passarem alguns meses por ano.

    Escolheram a Praia da Rocha, em Portimão, como destino de eleição, no qual encontraram um T2 com 150 m2, construído em 2013, no valor de 230 mil euros. Resolveram solicitar 70% do financiamento ao banco (161 mil euros) por um prazo de 20 anos, sendo que o rendimento anual líquido conjunto deste agregado é de 59.556 mil euros.

    Entre as oito entidades bancárias escrutinadas, é possível constatar que, atendendo ao montante total imputado ao consumidor, a solução mais acessível é a do Santander (219.540,39 mil euros), enquanto a mais dispendiosa é a do Crédito Agrícola (281.521 mil euros), uma diferença de aproximadamente 60 mil euros.


    “Um imóvel é sempre um investimento. Mesmo que seja apenas para passar férias, poderá sempre ser arrendado ou utilizado para render através de alojamento local. Além disso, existe sempre a perspetiva de valoriza��ão da propriedade, especialmente se for numa localização privilegiada com muito turismo, o que pode fazer muito sentido num país como Portugal, em que este setor de atividade está em crescimento constante”. 

    In Jornal Económico de 19/07/2017
     
     
    19-07-2017